Doces lembranças

Hoje vou falar um pouco da minha infância...
Na minha época as crianças tinham espaço para brincar, correr, as brincadeiras eram mais sadias, e quase não haviam crianças obesas.
Hoje temo um pouco, as condições financeiras não permitem que o Gabriel cresça num quintal gramado como eu gostaria, mas vou fazer o possível pra incentivá-lo a jogar bola, soltar pipa, brincar de carrinho, jogar bolinha de gude, andar de skate, estas coisas...
Não quero que ele fique o tempo todo em frente ao computador, nem na frente da TV e muito menos do video game, afinal cada dia os jogos são mais violentos, só falta espirrar sangue do lado de cá da TV...
Sei que algumas coisas serão inevitáveis, mas eu quero controlar pelo menos o que chega até ele, a internet traz muita informação, entretenimento, mas também traz muito lixo, então enquanto não houver um senso crítico nele de discernir o que é certo e errado, vou estimulá-lo à cada vez mais brincar como eu brincava....e sabem de uma coisa? Eu fui feliz, muito feliz...
Eu vivia com os joelhos roxos, de tantos tombos que levava, nem parecia uma menina, era magrela, arteira e adorava jogar futebol...
Eu amava ser goleira, minha mãe ficava doida comigo, pois ela queria que eu fosse modelo (mãe tem cada uma...)
Fui goleira por muito anos, jogava com as meninas, mas eu achava mais legal jogar com a molecada, eles chutavam mais forte e eu defendia com mais vontade.
Bem, mas a minha mãe não desistiu e me comprou um par de patins, aqueles da babush, com duas rodas de cada lado, eu amei, mas odiei a cor, era amarelo-limão com branco (só a minha mãe mesmo)...
Comecei a andar, e como não via muita graça só em patinar, comecei com as manobras e acrobacias, comecei a virar estrela com os patins, primeiro com as mãos apoiadas, depois com uma mão só..
Mas teve um dia que eu caí, me desequilibrei e bati o rosto no chão, quase no supercílio, preciso dizer que fiquei sem os patins por algum tempo?
Sabe o que eu fiz? Voltei a jogar futebol....
Eu também brincava de bonecas, meu quarto era a casa da Barbie, eu não gostava da casa que vendia já pronta, eu queria montar do meu jeito, tinham móveis da estrela e alguns do paraguay, e sem contar os de madeira que eu comprava nas paradas das viagens pra Minas, meu vô sempre me ajudava, foi ele quem deixou a cama king size com um super colchão...
Mas eu gostava também das brincadeiras de rua, telefone sem fio, salada mista....
Eu sempre era a que tampava os olhos das meninas (acreditem, eu já fui tímida), eu sempre avisava quando era o menino mais bonito da turma...
Ganhei o patins in line do meu pai, eu fiz tantas coisas com aqueles patins, meu pai só me dava presentes legais...
Eu andava muito bem, minha mãe até ia na rua pra me ver, mas um ano depois o patins já estava costurado com arame e colado com silver tape (coisas do meu avô, que saudades!)...É pq eu vi que se tirasse uma roda do patins, eu poderia andar nos RAF's junto com os skatistas, minha mãe quase infartou, levei muitos tombos, mas eu me divertia...
Depois de muita insistência a minha mãe me convenceu, lá fui eu em uma agência de modelos, participei de um concurso, não levei a sério, mas fui pra final, a Aline, minha amiga que sempre comenta aqui, estava comigo nesta roubada, não ganhamos, mas nos divertimos muito, meu pai ficou puto da vida, dizia que eu era a mais bonita, pai é tudo igual né? Ganhou o concurso a sobrinha da dona da Agência,preciso dizer mais???
Depois vieram as paixões, sabe daquelas que você até guardava o papel da bala "frigels" que ele te dava na agenda? Pois é na época a moda era agenda, diário era coisa de criança, eu tinha uma, levava a minha vida lá dentro, já tinha tanta coisa que não fechava mais...
As primeiras decepções também chegaram, com elas muito choro e colo de mãe, tinha vergonha de ser tão magra, achava que os meninos não gostavam de mim por isso, depois descobri que tinha algo bom, eu não tinha nem as estrias e nem as celulites que minhas amigas de 13 e 14 anos tinham, isso me favoreceu, disse muito não pra muito garoto que só se interessou por mim quando eu ganhei mais corpo...
Nesta época o meu avô reformou a mesa de projetos lá de casa, disse que era pra mim, pra eu fazer Arquitetura, eu desenhei muito naquela prancheta, adorava brincar com a régua paralela, mas isso ficou pra trás, ele entendeu quando eu optei por administração e me disse: Quem sabe depois você não faz arquitetura? É algo pra se pensar, mas bem mais pra frente....mas esta frase não me deixa....
Se um dia eu partir pra algo assim, aquela mesa vai comigo, mesmo sabendo que hoje muito é feito no computador.
Depois da fase vingativa, rs, veio o primeiro namorado e com ele toda a decepção de não ser paparicada, não ter atenção....acabou em 10 meses....doeu, doeu muito...(Este é outro que veio me procurar depois de alguns anos, quando me separei do casamento, foi muito legal dizer tudo o que eu senti naquela época e dizer que não, obrigada)
Depois veio o segundo namorado, a certeza de que era pra sempre, muitos passeios, muitos amigos em comum, era o namoro perfeito, pena que os sonhos eram iguais, mas com datas diferentes, acabou, durou o tempo suficiente pra se tornar uma lembrança boa...
Daí o resto vocês já sabem, o primeiro casamento, a minha grande decepção, sentia um fracaço, procurava culpados e acabava me culpando, hoje sei que a culpa foi de ambas as partes e vejo isso como uma lição aprendida.
Enfim, a minha infância a adolescência foram felizes, graças às pessoas que me rodeavam, principalmente o meu avô, de quem eu mal começo a falar e já fico com os olhos emaranhados...
E você? Tem algo da sua infância ou adolescência que queira me contar??
Beijos à todos e um excelente final de semana...